sexta-feira, 19 de julho de 2013

Corações

Caminhava espanando e tirando toda a fuligem do lugar. Já não sem tempo que limpava aquele cômodo. Tinha fuligem das fotos queimadas. Naquele espaço tão sagrado, ousei atravessar apenas uma vez e pendurar uma foto. Mas, depois das dores, não queria atravessar os umbrais que me levassem para um novo amor. -Meses depois de choros, lágrimas e a consciência de que as pessoas acontecem quando tem que acontecer por uma missão, e, que a “pessoa que me esperava", continuava me esperando numa esquina qualquer, com olhares, abraços, cumplicidade, companheirismo, realidade, amor, diálogo e volúpias. Me esperava com luto e tristeza, pois a vida também se constitui disso. Me esperava com louças pra partilhar, pó pra limpar e outras fuligens. Caminhei. Limpei aquele quarto, tirei todos os resquícios que tinham ficado de amargura e me joguei à vida. Caminhava com cautela. Olhares apurados. Procurando. Procurando. E, num dia qualquer, no meio de uma discussão gramatical, à margem de todas as letras, sem verso e prosa. Letras saltavam diante de meus olhos, quando notei aqueles olhos que pareciam azuis, pareciam verdes. Miopia mesmo.
Sem esperança nenhuma me aproximei. Não havia poesia mais. Pois, todas as poesias vinham de dentro daquele quarto “das fuligens" que eu limpara há não muito tempo.
Quando começamos a conversar a identificação e o alarme apitaram dentro de mim. Entretanto, não quis dar margem, falei de amigos, de outros romances, de livros, filmes, músicas, video-game… não queria dar margem. Até que, sem perceber, falei algo sobre olhos verdes, falei sobre cantar novamente, falei sobre identificação, falamos… falamos de vida, de esperança, de admitir. Não falamos as três palavras.
Receio.
Fomos pelas margens sussurrando e cuidando. De si. Do outro. Por um tempo. Até o primeiro abraço cuidadoso. 
Limpeza e nova decoração.
Ao tempo preciso meus ajudantes interiores foram redecorando o quarto da fuligem. Varreram novamente, colocaram novas flores, novos vasos, tapetes, sofás, puf, cama, travesseiro, poesia, novo romance, novos encontros.
A nova visita ao quarto das fuligens.
Após ter feito uma limpeza mesquinha e preguiçosa da primeira vez, por descontentamente, voltei ao quarto. Era tempo de redecorá-lo. Mas o encontrei maravilhosamente limpo. Agradeci aos Anjos que haviam trabalhado nele. Fiz uma prece ao motivo desta limpeza. Caminhei admirando a beleza do lugar. Qual não foi minha surpresa quando encontrei algo antigo também nesta sala. Um baú. Com lacre dourado, pedras preciosíssimas incrustadas, prata e ouro. Um TESOURO!!! A chave muito antiga estava ao seu lado. Com cuidado o abri.
Um coração.
Dei poesia, música, cuidado, verdades, muitas verdades, confissões, até dos desejos que tinha vergonha, apresentei pessoas, toquei violinos outros, esperei com medo de tocá-lo com minhas mãos, mas notei que ele também esperava por isso e na medida do amor que lhe devoto, o abracei com toda a minha alma, até que ele me sentiu profundamente e tocou no meu próprio coração trazendo fôlego de vida!
Meu maior tesouro!
_…Sonhei com vc.. porque…er…well…
_ hahahaha sonhou é? Você tem uma mente agitada.
_ Coisas dos hormonios… deve ser porque você é a pessoa mais importante do meu mundo…
E ela me sorriu com os lábios e a alma.

(Postado originalmente no meu Tumbrl)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Hello Sweetie

Hoje vou saltar para um universo paralelo qualquer e ignorar algumas coisas como “Esse blog virou postagem sobre série, foi?”.

Não, não virou nada, é como eu sempre disse no começo, é apenas um blog e gosto de partilhar o que tenho vontade. Seja o brilho das estrelas que peguei do seu olhar, seja a vitória política de alguém, seja a derrocada de um império, ou simplesmente Doctor Who, a série britânica que completa em 23/11/2013 nada mais, nada menos que 50 anos de existência.

Então, se você não assiste e não tem nenhuma familiaridade com o Universo que existe de Doctor Who, aconselho a parar sua leitura aqui.

Já que você optou por continuar, seja bem-vindo à fantástica fábrica de wibbly wobbly timey wimey que são as teorias que surgem na minha infame cabecinha hahaha. (Tudo bem, não é exatamente uma teoria é só uma visão dos fatos)

Sobre o lance da Rose.

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Vou tentar me prender apenas ao que diz respeito às últimas 7 temporadas, esse negócio de voltar 50 anos é muito pra meu pouco tempo de vida.

Então a primeira companheira que temos dentro da T.A.R.D.I.S. é a loirinha aventureira e apaixonada, Rose Tyler. Para desespero de alguns fãs, obviamente, pois a série clássica sofre com os efeitos históricos da descolonização da África e da Ásia, passa pela Guerra nas Falklands, passa por Guerra Fria, e tudo isso se reflete nos episódios em que o Time Lord mais “querido” da BBC se aventura. Rose Tyler surpreende com o charme, a garra feminina, a personalidade forte e o desejo de conhecer as estrelas que a nossa sociedade tem.

Nós, ao contrário das pessoas que foram fruto das décadas de 60-80, almejamos algo mais, sonhamos com o dia em que o pó das galáxias passará por nós sem surtir dano. Desejamos tocar o céu. Queremos mais do que, acordar, trabalhar, namorar e dormir. E nisso somos iguais Rose Tyler.

O Doutor, recém-regenerado, aparentemente, e se conformando com suas orelhas grandes e mal distribuídas, sofre com a amargura e passa por uma fase de redenção e é esta a ideia da primeira temporada. “Há bem e mal em cada um de nós, é preciso que encaremos os fatos e aceitemos a redenção”. A ideologia de que é possível sim se redimir é que surge com Rose Tyler.

Rose, o Bad-wolf. Rose, a encantadora de Daleks.

No primeiro episódio em que aparecem os Daleks (S01E06), o Dalek em questão não é comum, ele pode sentir emoções. Ele chora de desespero, sente medo, sente ódio, sente desejo e sente amor. Tudo que ele quer é ver a luz do sol. Mas, é um Dalek com problemas, a natureza daquela criatura não suporta emoções. E ele implora que a Rose lhe conceda a morte. (“Ordene que eu morra! Ordene!”).

Rose faz mais do que ser uma companion, ela demontra tanto amor no correr dos dois primeiros anos que o amargurado e sombrio Nono Doutor, ao se regenerar, apaixona-se pela vida e é de longe um dos mais emocionais Doutores.

E agora, para a celebração dos 50 anos teremos um time no mínimo caótico nas telas.

Rose, a apaixonada; Ten Doctor, o amante; Eleven Doctor, o amargurado; Clara, aquela que nasceu para salvar o Doutor; The Valeyard (aparentemente), o sombrio.

Isso é mais do que um seriado sobre fumaças estelares, é sobre o emaranhado da alma humana.

Geronimo!!!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quando resolvi ser quem sou

Se eu conseguisse dizer pra vocês o que sinto. 
Mas, não consigo. É da minha natureza poetizar e me aprofundar nas coisas. 
Não sei ser diferente. (Não ainda, ao menos) E preciso de gente "pé no chão", que me fale tudo na cara. E quero falar tudo na cara também. 

 A verdade é que faz bem. Que liberta. Pode até assustar aos que primam pela pseudo "boa educação", afinal, gente educada de verdade é aquela que fala tudo que tem pra falar e ouve também. Que sabe se comunicar e não esquenta com os bizarros seres que podem, eventualmente, sair de dentro de você. Afinal, humanidade é isso, é a habitação de diversos "eus" que vivem livres à medida que a realidade bate à sua porta. 

Fica assim então, fala pra mim o que te faz bem e eu combino de dizer o que me der vontade. Bebe um gole e fica mais. Afinal, quem é que trás toda essa energia boa que encanta e faz bem? Quem é que mostra a beleza de ser e se completa com você num super-ser? Só o amor é capaz de libertar. E só a realidade é capaz de ser libertadora, se em amor é revelada. 

E não, não é papo de igreja. 
É papo de gente. 
De gente que sente. 
 De gente humana. 
De gente que... sei lá, é gente. 

 ;) Bjo, Panda.

domingo, 19 de maio de 2013

De outros, tão meus.

Disse que cavaria e encontraria tesouros escondidos, não esperava, entretanto, encontrá-los sob minhas barbas ~não que eu as tenha~

Travo uma descoberta que a palavra espetacular não define, é uma daquelas coisas que a gente sente e dá pra dizer que evolui com elas, simplesmente se sente. O livro é “A Profecia Celestina” e o tesouro é esse texto que “bate” com a leitura da descoberta da Oitava Visão (e se não entender nada, sugiro que vá ler o livro hahaha).

Texto abaixo da sis Ella Jay,

Abaixo ao ser Humano (?)

Segundo os muitos milhões de dicionários e em qualquer idioma que se encontre, Humano significa “1. Do homem ou a ele relativo. 2. Bondoso, benfazejo, compassivo.”

Então, tantas vezes aqui comigo eu pensei: Nós seres humanos passamos frases e ideias como “menos humanos, mais ‘sei lá o que’” para as pessoas e elas nem se dão conta de que estão jogando fora todo um significado e desejando que haja cada vez mais “inumanidades”. O significado de bondade vai bem mais além do que ele diz, assim como o de ser humano.

Desejar que a humanidade não exista mais, é desejar que uma parte do que é bom seja demolida. Somos todos um conjunto com a natureza, os animais e os sentidos.

Não quero discutir semântica, muito menos ensinar padre a rezar missa, é apenas um texto de opinião, de sentimento.

Mas, Ser humano é algo que deveria deixar qualquer pessoa orgulhosa. Pois a maldade é criação daquele que não compreende. As pessoas não veem, mas somos todos animais. Dizem por ai: “Animal tem mais sentimento que ser humano. Animal é mais isso e aquilo”… Realmente não descobrimos que somos iguais!

Exemplo disso são algumas espécies de animais, insetos (etc.) que comem ou matam seus parceiros ou filhotes por instinto. O rito deles…
De certa forma o ‘homem’ criou o seu próprio instinto variável, e age conforme ele. (Não, não é certo), porém, da mesma forma que os animais, o ser humano também age pelo seu impulso. E também por impulso e falta de compreensão ele deseja que o resto de sua bondade seja extinta da face do universo, assim como, por instinto eles destruíram muita coisa. Regenere-se consigo mesmo. Somos todos seres de inteligência tão vasta, porque nós nos jogamos (e jogamos junto as outras pequenas e maiores coisas) entre pequenos abismos?

…A inteligência é uma dadiva de todo ser humano, assim como também dos animais. Evolui-la, e, não estagna-la em precipícios é uma escolha e percepção que dificilmente nos permitimos ter. O que nós somos afinal?

Elephantstardust.tumblr.com

Abraço, com algo indecifrável, tal como Amor, aos navegantes,

Panda.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Lá e de volta outra vez.

 

Num buraco no chão vivia um hobbit. Não numa toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo, tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.

_ J. R. R. Tolkien, O Hobbit

Se eu escrevesse, num buraco no chão vivia um panda, talvez soasse mais realista, mas, depois de comer um bolo com palitos de madeira e isopor, estou um tanto quanto distante dos realismos artísticos de algumas pessoas.

Afinal de contas, comer um bolo e encarar as calorias é uma coisa, comer um bolo com isopor e madeira é outra totalmente diferente. KinderBolo – o seu aniversário com surpresas!

Mas, isso é papo para algum dia numa roda com amigos e um mate, ou um café, ou qualquer bebida agradável.

Dane-se como isso começa, o importante é que estou de volta, uma vez mais. E embarquem comigo, afinal:

Para além das montanhas nebulosas, frias,

Adentrando cavernas, calabouços cravados,

Devemos partir antes de o sol surgir

Buscando tesouros há muito esquecidos.

E eu adoro buscar tesouros. Especialmente os “há muito esquecidos”.

herzog

Boa noite, abraço aos navegantes Smiley piscando 

domingo, 9 de setembro de 2012

Quartinhos

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Minhas mãozinhas no vitral limpavam com energia aquele embaçado, estava sequiosa de ter um vislumbre daquele quarto.

Parecia escuro e sombrio.

Sempre achei que ali morasse um monstro amaldiçoado, um ser eterno que ficava fechado, enclausurado, talvez amarrado, e bem, sinceramente, pra mim, toda vez que ele tentou escapar foi ferrenhamente espancado e devolvido para o quartinho escuro.

Maldições eternas.

Haveria possibilidade de jogar luz naquele quarto? Haveria esperança para o monstro? Mas, será que morava mesmo um monstro ali dentro? Continuei esfregando os vitrais. E notei algo próximo à janela, atrás de uma plantação extensa de hera, encobrindo algo… era a porta!

A misteriosa porta do quartinho escuro. Minha coragem era tanta e eu desejava tanto ver o que tinha ali! Se bem que, bem no fundo do meu coração eu sempre soube o que morava no quartinho…

Aos poucos fui cortando a hera e ouvi um grande barulho vindo detrás da porta, um grunhido estranho, sombrio, dei um salto e estaquei tal como estava. Agucei meus ouvidos e espremi os olhos como se pudesse vislumbrar ou perceber algo, mas, como se pressentisse ser notado, o barulho também parou.

Noite Escura dos Sentidos.

Voltei então com toda minha coragem e concluí meu serviço diante da portinha, virei a chave e destranquei o quarto. Isso tem pouco mais de um ano, aconteceu na semana santa do ano passado, eu tinha certeza que o monstro estava desperto.

Virei o trinco e abri a porta, o cheiro que a pequena sala (eu pensei que fosse uma pequena sala) quase me derrubou, havia muito que estava fechada, pensei que fosse mofo, mas não, era um cheiro estranho e um ser desgrenhado saiu de lá. Estava tão deslumbrado com a liberdade que saiu cambaleante, aparentemente tão cego que desejava provar tudo o que alguém que nunca viu o mundo desejou.

Usou todos os seus sentidos exaustivamente na compreensão do mundo, mas não conseguia absorver tudo, se sentia estranho e cego, mas, demonstrava o contrário, demonstrava enxergar.

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Com a ajuda de uma grande amiga, chamei aquele ser desgrenhado e que eu achava ser amaldiçoado para uma conversa honesta. Nós três então nos sentamos próximos do mar, ouvindo as ondas quebrarem e tendo a visão de um notebook e alguns livros, iniciamos uma longa conversa sobre a vida com aquele pequeno ser…

Enquanto conversávamos, nós três, notei que sem ajuda alguma algo caía dos olhos do pequeno ser desgrenhado, era como uma libertação. Algo de familiar percebi no olhar do meu amigo, já estava se tornando tão íntimo de mim era como um amigo. Conforme partilhávamos a vida juntos notei então que o pequeno ser do quarto escuro era eu. Abracei com amor aquela curiosa parte de mim e a amei! Serenamente a amei! A compreendi e a amei.

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Abrindo as portas e quebrando as “maldições”.

Acendemos a luz e percebi que não estava bagunçado lá dentro, ao contrário, estava extremamente organizado, a única coisa estranha era aquele pedacinho de mim que se sentia esquizoide e se manietava por medo de si mesmo. Se escondia. Se aprisionava.

Abracei então o morador do quartinho e juntas abrimos a janela deixando o ar puro entrar. O quartinho não era quartinho, era enorme, era tão grande que até agora estamos caminhando, todos nós… (meus três amigos: Pai, Filho e Espírito Santo), minha grande amiga (cujo nome ficará nos memorais do Céu), alguns outros grandes amigos-irmãos e eu, todos caminhamos pelo enorme quarto que é meu coração.

Livremente… e em amor.

Na serenidade te convido a fazer o mesmo, e não tenha medo, no fundo não é um monstro e nem é feio, nem morde!

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Naquele que ama todos os moradores de todos os quartinhos,

Panda.

sábado, 8 de setembro de 2012

Senta que lá vem história…

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Hoje vou abrir a postagem com uma das antigas…

“Em uma crença do Egito antigo, o deus da morte, Osíris, colocava o seu coração ou a alma na bandeja de uma balança, e do outro lado uma pena. Se a alma fosse livre de qualquer pecado, seria mais leve que a pena e Osíris saberia que a pessoa estaria apta a entrar no paraíso. Caso a alma fosse cheia atos ruins, seria mais pesada que a pena e logo a alma seria ofertada para um deus monstruoso que a devoraria.”

E então as almas se encontraram diante do enorme tribunal do Eterno. Alguns O chamam assim, temem falar até seu nome, “Magnânimo Juiz”, eles dizem: “aquele que cobra até pelos pensamentos”. Senti calafrios quando ouvi O chamarem desta forma.

Fui convocada a presenciar este julgamento, era uma pessoa ilustre diziam, muitas obras na terra e diante do Eterno não tem essa de boa alma, pecou tá ferrado!! Foi o que me disseram, e quando chegou aquele papel timbrado na minha mesa com o selo do Eterno, estremeci, confesso, me agarrei à pequena pastinha preta, coloquei meu melhor taieur, o melhor sapato de salto, como uma boa advogada.

Eu não deveria temer, não estaria ali para defender, havia outro advogado diziam… até que cheguei ao tribunal.

Querubins imensos na sala de audiências, mas o Eterno não parecia em nada com o que eu imaginei, tinha olhos tão bondosos, até me senti aliviada, eu era só uma espectadora – só para assistir – repetia pra mim mesma.

Aquela voz retumbante abriu o julgamento:

_ Bom dia amigos.

- Amigos? Que tipo de juiz era esse que chamava as pessoas presentes, a incluir o réu, de “amigo”? – Voltei para a apreensão inicial, minhas mãos começaram a transpirar. Notei então no advogado que defendia o réu. Era jovem, vestia roupas de algodão cru, um sapato confortável, ao contrário do promotor que representava a acusação. Era um sujeito estranho, bonito, aparentemente, mas seus olhos não transmitiam vida, nenhum tipo de vida. Na verdade ele me incomodava muito, pois parecia querer sugar a vida que havia em mim. Ele me encarava com uma certa inveja, não compreendi sua intenção mas notei que ele não estava de bom humor. - Talvez pense que seja uma causa perdida –

_ Estamos aqui, diante do réu Marcos, foi um conhecido cirurgião, a acusação apresentou um vasto relatório de erros substanciais que comprometem não só a moral e os bons costumes, mas também o incrimina severamente de assassinato, traição, roubo, formação de quadrilha e estelionato.

- Santo Cristo! – Observei o advogado de defesa, sereno, tranquilo. Nada o afetava, convicto de sua confiança em seu cliente, olhou serenamente ao Juiz.

_ A palavra está com a acusação.

O sujeito de aparência bela e olhar vazio abriu seu timbre barítono numa suave ironia: _ Que espécie de pessoa é essa senhores? Um médico? Não. Matou milhares de inocentes, traiu, roubou seus empregadores e clientes com preços que os oprimiram, manteve contato com outros médicos e enfermeiras para adquirir vantagens e ainda manteve relações extraconjugais, das quais um filho fora do casamento foi o fruto e vocês querem uma pena leve? Peço nada menos que a morte eterna e o banimento de toda forma de amor.

Impassível o Juiz olhou para a defesa.
_ Defesa?

O jovem Advogado se levantou, exibia marcas nos pulsos e na fronte, talvez tivesse passado por algum tipo de tortura no passado, mas algo nele me era muito familiar.

_ Invoco a Lei de Anistia.

O juiz olhou para a acusação.

_ O senhor certamente sabe do que se trata, senhor promotor?

A acusação se enfurece, é notória a raiva e o sentimento de perda que expressou o promotor, olhou em minha direção e notei que me dizia algo como “ódio, maldição” através do olhar… senti outro calafrio.

_ Claro que conheço Excelência! É a lei que apaga todos os graves erros cometidos.

_ Defesa, por gentileza, me entregue o documento.

O Advogado abre sua pasta e entrega um documento antigo com um selo da Realeza.

“Não importam mais quais foram seus erros, o ônus e a pena foram devidamente pagos pelo Advogado de defesa, também Príncipe da Paz, Maravilhoso Conselheiro, Deus forte e Pai da Eternidade.

Conhecido no ocidente como Jesus Cristo, Messias”

_ Bem, assunto encerrado meus amigos, sentença dada, Marcos está absolvido de todos os erros, seja bem vindo ao Paraíso.

Acordei de um salto, um sonho! Meu Deus!

“Depois de saber todas as teorias, no fundo, a única coisa que converte é o amor” (O príncipe e a lavadeira)

Um grande abraço, naquele que insiste em amar e perdoar quando a acusação é ferrenha…

Panda

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Paulo, Sméagol e Eu.

Liturgia diária: 1ª Leitura 1 Co 2,1-5

Paulo não se mostra cheio de sabedoria como “Portador do Mistério (Segredo) de Deus”, ao contrário, assume suas misérias.

“Fraco e tremendo de medo, apresentei-me a vós”

Naquela manhã eu sabia que deveria ir para Corinto, mas, sentia tanto medo. O amor de Deus me impelia para falar a respeito de Jesus e de toda Salvação e Redenção, eu precisava falar deste amor e falar toda a verdade. Já se sentiu assim?

Algo muito sério para falar, mas com o coração disparado e com medo de abrir a boca porque sabe que o tomarão por louco? Desvairado? Ensandecido? Toda sua reputação de mestre da Lei, fariseu, israelita de bem por água abaixo. Eu tremia… me sentia tão pequeno diante do tamanho dessa missão…

Meu coração se dividia entre assumir a postura de mestre da lei, instruído e versado a respeito de toda a tradição, a postura de um filho digno da Casa de Israel, com mais cérebro que coração… e o outro lado era falar sobre a loucura da cruz. Vejam só minha situação…

Como é que eu iria falar que o Messias, o Libertador, já tinha vindo e tinha morrido numa cruz? Não aceitariam… MAS EU TINHA QUE FALAR ASSIM MESMO! Mesmo que me chamassem de maluco, de louco, de endemoninhado, de qualquer coisa, eu ia falar!

Sabe que relembrar deste dia para contar a vocês, depois de praticamente quase 1970 anos que o fato aconteceu, sinto que parecia um personagem de um destes livros, um muito famoso por sinal, sabe que eu como escritor gosto também de ler, então, me senti um tanto como o Sméagol, de “Senhor dos Anéis”. Claro, os mais tradicionais podem me tomar por um santo de direita, que não gosta de nada que é legal, mas eu gosto, me sinto tão jovem com todos estes pouco mais de 2000 anos.

Calma, não precisa me olhar com essa cara de susto, afinal, um apóstolo também é gente, e como gente tem sentimentos e se sente confuso e perdido, eu me sentia assim.

Sabe como é, eu estava entre falar como um mestre e me agarrar ao “meu precioso anel”, que neste caso era meu status, meu conhecimento e toda aquela coisa que as pessoas valorizam até minha garganta soltar um grunhido estranho e revelar minha face “Gollum”

ou

Eu poderia me render ao Mestre, obedecer sua voz, lhe entregar “meu precioso” e apontar o caminho que levaria a libertação, o amor, essas coisas que realmente valem a trajetória perigosa da vida. Eu poderia ser Sméagol então.

Mas, como no meu tempo não tinha Sméagol, nem Senhor de Anel nenhum, eu optei por ser Paulo, e, com os batimentos cardíacos acelerados me curvei em minha cama e murmurei “Eis-me aqui Senhor…”. Me levantei, minhas mãos transpiravam um pouco, me sentia frágil, porém uma coragem tomou conta do meu ser, eu caminhava com toda força que com toda certeza era o Mestre quem dava, eu não tinha o peso do “meu precioso” me sufocando. Olhei para a multidão em Corinto e falei:

_ Varões, há um Messias, há alguém sobre quem Isaías falou outrora o seguinte: “O Espírito do Senhor está sobre mim…”

Por: Paulo, Apóstolo pela graça aos gentios.

Claro, esta história não aconteceu, mas poderia, Paulo realmente se sentiu frágil, assim como eu… você… as coisas são assim… Mestre, pega aqui meu precioso também… Obrigada!!

sábado, 1 de setembro de 2012

Relatos de uma alminha desconjuntada.

O trajeto da alma. De uma alminha, simples, desconjuntada, uma alminha errante.

Ela passou por mim e não percebi que na sua roupinha de alma haviam remendos. Eram tantos os remendos, e tantos os buracos. E percebi que em sua aparência um tanto cadavérica, seus olhos vazios e sem vida perambulavam a procura. Pobre alminha errante… tudo lhe parecia tão sem valor, tão passível de justificações, tão “natural”.

Ela olhava o mundo ao seu redor e tudo era natural demais. As coisas se perdiam, perdiam todo o seu valor, sua beleza, seu “encanto”. De toda sorte a alminha me olhava e me inquiria.
_ Tens algo pra mim?

_ Talvez…

_ Desejo tanto…

_ Eu sei.

A alma então desejava. Desejava não ter buracos. Nem ter remendos. Desejava novas vestes. Mas, onde procurá-las? Onde obtê-las? Seria direito seu vestí-las?

Ela via outras alminhas tão jovens, tão serenas, tão pueris, tão brilhantes, sem nenhum buraco, sem nenhum remendo. Ela se sentia uma alma velha. Andarilha e errante. E prosseguia me circundando, me inquirindo com suas órbitas tão sem vida.

Uma alma sem vida…

Como pode?

Se não vagasse, certamente rastejaria. Estava ali diante de mim. Sua inquisição era quase audível. “Eu desejo”.

Quando, não mais que de repente noto seu olhar deixar de mirar-me e passar a olhar para outro lugar. Ela o via escrevendo na areia. Mas, o que é que Ele escrevia?

Ela via aquele jovem Galileu, vestido normalmente, abaixado a escrever na areia. E fez sinal de que ia na direção dele. Notei então o que deveriam ser seus pés. Sim, eram prisões! Pobre alminha esburacada e aprisionada, tão sem jeito diante de tudo e tão desejosa…

Ela caminhou com toda a força que tinha e arrastou consigo seus grilhões, seu olhar gritava “eu desejo”…quando ela chegou diante do Galileu, pôde ler o que Ele escrevia na terra.

“PEQUENA ALMINHA, EU TE AMO, NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ FEZ, EU TE AMO! NUNCA DEIXEI DE TE AMAR. VOCÊ É A MINHA PEQUENINA. SEMPRE FOI. A MINHA PEQUENINA… ME PERMITA TE AMAR UM POUCO MAIS…”

Notei que os olhos da pequena alminha foram se tornando de carne. Ela aos poucos foi ganhando um corpo, uma vida! E percebi que chorava. Sim! Ela chorava ao ler o que estava na terra. E ela o olhava, “Eu desejo”, e percebi que Ele lhe sorria respondendo todo seu anseio “Eu conheço seu desejo, estou entrando na sua tenda”…

E Ele, olhando diretamente em seus olhos disse: _ Onde estão os que te acusavam? Vês? Não ficou ninguém…

Ela então olhou ao redor, seus grilhões tinham desaparecido! Ela estava LIVRE! Olhou para o Galileu escritor e correu, correu com toda sua força e lançou-se aos seus braços e se deixou abraçar. Chorou tudo que as órbitas de seus olhos de carne permitiram e finalmente descobriu o que  é o AMOR.

Um grande abraço,

Panda

Por causa de uma janela

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Será que você já parou pra pensar na importancia que algumas pessoas tem nas nossas vidas?

Eu nunca dei muito valor, quando menor, a essas coisas de madrinha, padrinho, porque não conhecia o seu valor. Quando cresci um pouquinho e passei a me interessar pelos assuntos da fé, tomei nota de uma coisa… uma madrinha é algo muito importante.

Ela é como uma mãe, uma amiga, uma irmã, é de tudo um pouco. Meio psicóloga, meio maluca, mas há algo que ela precisa sempre ter pra ser uma boa madrinha: Amor!

E não é isso que o povo diz que é amor… essas maluquices de nunca te chamar a atenção, de sempre se dar… não, isso não é amor. Amor é sair de cena, é entrar em cena, é arrancar a sua orelha (sem que você perceba), é te colocar no colo, te abraçar, é dizer “não” e é também dizer “sim”…

É “investir” o tempo que seria da sua aula de Lógica (blergh kkk) nas risadas tranquilas e sinceras dentro de uma igreja olhando para janelas. É te olhar incrédula quando você faz a seguinte pergunta “Por quê o mar é azul?”, certa de que aquilo não é uma pergunta vinda da cabeça de uma pessoa com 24 anos. É rir, é chorar, é “entender”. Amar é isso. Sobretudo rezar e estar perto, mesmo não estando…

Só quem tem uma madrinha sabe o quanto elas representam na vida de alguém.

Dinda, obrigada por ser a melhor dinda que esta panda sonhou em ter.

 

Aos demais navegantes, aproveitem suas dindas, amem suas dindas e sejam vocês dindas, boas madrinhas a seus afilhados…

Um excelso final de semana,

Pandoogles aos navegantes