domingo, 30 de maio de 2010

morte e exclamações



Eu resolvi "estudar" hoje... li sobre Alberto Caeiro, heterônimo do Fernando Pessoa, e achei esse poema que fala sobre a morte. gostei especialmente dos 4 últimos versos. Apesar dele (A. Caeiro) falar contra o pensamento e a reflexão, seus poemas nos fazem pensar do mesmo jeito e é assim de proposito, o qje me faz pensar que o cara era bom!

Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.


PS: nao sei o nome do poema, Poemas Inconjuntos é o nome da obra.

Anaí M França