sexta-feira, 11 de junho de 2010

Estação de Tratamento II

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Estou lendo a obra “O impostor que vive em mim” de Brennan Mainning, tem sido de grande conforto pra mim (pra Nathália também, tenho certeza, a Anaí não sei se tem lido, pois em nossa última conversa acabei esquecendo de perguntar).

O que gostaria de compartilhar com vocês hoje é uma citação que li nessa obra, de Henri Nouwen:

 

Ao longo dos anos, vim a perceber que a maior armadilha de nossa vida não é o sucesso , a popularidade ou o poder, mas  a qualidade sedutora em geral provém de como se integra à tentação bem maior: a autorejeição. Quando chegamos a acreditar nas vozes que nos chamam de indignos e inamáveis, então, o sucesso, a popularidade e o poder são facilmente percebidos como soluções atraentes. A verdadeira armadilha, entretanto, é a autorejeição. Assim que alguém me acusa ou me critica, assim que sou rejeitado, deixado só, abandonado, me pego pensando: ‘Bem, isso mais uma vez prova que não sou ninguém”. (…) [Meu lado sombrio diz,] não tenho nada de bom… mereço ser deixado de lado, esquecido, rejeitado e abandonado. A autorejeição é o maior inimido da vida espiritual porque contradiz a voz sagrada que nos chama de “amados”. Ser o amado constitui a verdade essencial de nossa existência.

E assim, prossigo com a frase de Mainning em que ele relata parte de sua vida:

(…) Bunca me senti amado. Uma cena do filme Lembranças de Hollywood transmite tudo isso. Uma estrela de Hollywood (Merryl Streep) ouve seu diretor (Gene Hackman) falar sobre a vida maravilhosa que ela tem tido e quanto qualquer mulher invejaria tudo que ela conquistou. Streep responde: “É, eu sei. Mas o que você sabe? Não consigo sentir nada. Nunca fui capaz de sentir minha vida e todas essas coisas boas”.

No décimo dia do retiro da montanha, minhas lágrimas irromperam em soluços. Como Mary Michael O’Shaugnessy gosta de dizer: “Normalmente os colapsos conduzem a notáveis avanços”. (Boa parte de minha insensibilidade e invulnerabilidade surgiu por recusar-me a lamentar a perda de uma palavra amena e de um abraço terno.) Benditos são os que pranteiam e se lamentam.

A medida que sorvia o cálice da amargura, uma coisa notável aconteceu: ouvi música e dança a diantância. Eu era o filho pródigo mancando de volta para casa, não um espectador, mas um participante. O impostor desapareceu gradualmente, e eu estava em contato com o verdadeiro eu, como filho de Deus que retornou. O anseio por elogios e afirmação recuou.

Isso é só um trecho desse texto que fala à alma daqueles que deixam a velha casa na fossa e rumam para uma Estação de Tratamento buscando vida plena e com concretude dentro da Palavra Perfeita de Salvação, o Nosso Evangelho da Paz.

 

Naquele que por algo que eu nem sei explicar, me ama muito! E ama você também, independentemente do seu erro.

Amanda Perbeline