segunda-feira, 19 de julho de 2010

Severus Snape – absurdamente humano.

 

SeverusSnape

[Fotos das filmagens de Harry Potter]

Estive a ler Harry Potter, me faltavam dois livros para a conclusão da Saga do menino bruxo. E, antes que me recriminem, não vou entrar no mérito bruxaria, feitiçaria, etc. Não quero tocar neste ponto, ao menos não agora. E, tampouco falar do grande herói de Joanne Rowling.

O mérito de minhas linhas hoje vai ao anti-herói Severus Snape e a fabulosa construção de seu caráter. A descrição de Snape pelo “Wandpedia”, baseada nos 7 livros da série o descrevem  “'como tendo um nariz de gancho, pele pálida, olhos pretos e cabelos oleosos e na altura dos ombros. (…) magro e vestido em longas vestes negras, lembrando "um morcego superdesenvolvido". (…) é geralmente descrito como cruel, desagradável, sarcástico, e amargo. Apesar de geralmente calmo e reservado, seu temperamento é às vezes curto quando Harry Potter e seus amigos estão por perto, particularmente porque se lembra de James (Thiago na versão brasileira, o pai) em Harry. Os sete livros mostram Snape como um bruxo muito poderoso, e talentoso enquanto aluno. Especialista em preparo de poções e tinha talento para as Artes das Trevas. Tinha muita criatividade e criava novos feitiços, incluindo o Levicorpus e o Sectumsempra. Como chefe da casa Slytherin, ele era um protetor de seus alunos. Snape consegue invadir as mentes dos outros e proteger sua própria com facilidade.”

SnapeOcclumency

Aos meus olhos, desde o primeiro livro, Snape demonstrava ser reservado e amargurado, despertando em mim grande compaixão. Sempre levantei suposições que, apesar de não descrito até as últimas páginas do sétimo livro, Severus Snape devia ter sido uma criança confusa, carente, rejeitada. Alguém que precisasse mais do que os outros de um pai, uma mãe, irmãos. Os  livros parecem demonstrar que ele se volta ao lado maligno da trama em virtude de ser aceito e receber atenção do menino que viria a se tornar o grande vilão de toda a estrutura de Harry Potter, até então conhecido como Tom Ridley (Lord Voldemort).

Ao se tornar um “Death Eater” (comensal da morte) Snape tem a aceitação de seu líder, faz tudo o que Voldemort deseja, com o intuito certo de ser aceito, receber recompensas, algum tipo de glória, fama, sucesso, enfim, de suprir a carência prima do Amor Filial. Compreendendo que aquilo que o atraía às trevas o afastava cada vez mais de seu único amor e depois de um erro fatal, descobrir que por sua culpa a jovem Lily morreria, ele procura ajuda e abrigo em Dumbledore, o diretor de sua antiga escola, líder da Ordem da Fênix (Instituição contrária às ações de Voldemort).

Arrependido procura cuidar de Harry. Sua forma de cuidado é diferente, ele não consegue suportar a idéia de ser amável. É reservado, sério. Como o garoto o faz lembrar de sua fria infância, Snape não demonstra afetos a Potter, nem poderia cumprir com sua função se assim o fizesse. Seu objetivo era ser um agente duplo. Obedeceu até à morte. Morreu sem lutar, frente à cegueira de um Vilão doente e incapaz de compreender o amor.

15YearOldSnape

Obrigou-se a matar aquele que jamais duvidava de sua lealdade por fiel obediência ao próprio Dumbledore, ajudou Harry até o final de sua vida, amou Lily sem reservas, sem jamais ter sido correspondido.

Rejeitado, humilhado, traído, pequeno e frágil. É a visão de Snape que tenho. Alguém que compreendeu que o Amor está além de todas as coisas e rendeu-se ao Amor quando não lhe restava mais nada em si mesmo.

Óbvio que Snape não tem nada de cristão, nada na saga tem, todavia, sua humanidade concreta o torna um personagem admirável. Sem Snape o desenrolar da trama não aconteceria e Potter não seria nem meio herói. Snape me lembra muitos de nós.

Abandonados, feridos, deprimidos, acorrentados, sombrios e gélidos. Escolhendo mendigar amor e carinho, alguma atenção, algum afeto. Queriam apenas um lar. Uma família e alguém pra chamar de pai. Esquecendo Daquele que de fato É PAI, Daquele que compreende o que é rejeição, dor, feridas, mutilações, traições…

É possível ver em Snape a figura de alguém que seria totalmente transformado se tocado pelo amor de Deus. Assim como eu um dia fui, e muitos de nós também. Um amor além das estruturas dogmáticas de fé. Além das culpas e traumas, além das feridas e do poder sombrio. Um amor que excede as expectativas de qualquer ser humano, pois que aceita incondicionalmente o outro.

O Amor de Deus toca mesmo quando aquele que era “Death Eater” não consegue ver nada além de escuridão e dor. Não importa quantos matou, humilhou e ofendeu à partir do momento em que encontrar este amor. Aprenderá o valor do perdão, do abraço, do sincero arrependimento, e da liberdade. Absoluta e Inestinguinvel.

 

Naquele que te aceita, mesmo você pensando que não vale nada (Ele vê potencial em você!),

 

Amanda Perbeline

Maringa – 19-07-2010