segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Silvas e Selvas. Quase Socialista.

chamado.

Há tempos não escrevia no blog, ocupada demais com questões pessoais, trabalhando pra caramba, recebendo notícias de nascimentos (Parabens Titio!). Enlouquecida com provas e descobrindo formigas falantes que estudam economia, criticam a sociedade e vivem contrariando o que se pensa sobre as instituições falidas de um sistema fraco. Querida Formiga, obrigada!

Hoje, em homenagem à Marina Silva, que admiro, votei e continuarei a votar. E, à pequena Formiga Falante. Linhas breves e certamente viajadas, sobre a sociedade, usando como base para entrar nessa onda, a letra de “O Rappa”, na canção “O Salto”.

Pensei muitas coisas nessa letra. Tudo me fazia refletir, me deixei levar e dei asas às críticas.

As ondas de vaidade
Inundaram os vilarejos
E minha casa se foi
Como fome em banquete
Então sentei sobre as ruínas
E as dores como o ferro a brasa e a pele
Ardiam como o fogo dos novos tempos
Ardiam como o fogo dos novos tempos

Não sou socialista, mas tenho lá meus pendões pró-sociais, ou talvez eu seja, mascarada, quem sabe. Talvez seja o fogo que trás uma nova Era. Mudança de pensamento. Refletidos em vinte milhões de votos numa mulher serena, vinda das Selvas. “Poderia algo de bom vir do Acre?”.

Veio.

Marina Silva disse a que veio. Não só ela. Muitos de nós estamos aqui pra dizer a que viemos. Viemos pela mudança, por acreditar num Brasil potência, por desejar o melhor do próximo e para o próximo, por sermos apaixonados pela vida, acreditarmos na vida, almejarmos mais vida.

Outra Silva apareceu, sem grandes atrativos, sangue quente, séria, defensora da Justiça. Sensível à quem fala sobre “as ondas de vaidade” que “inundaram os vilarejos”. E vê seu irmão e a si mesmo vendo sua casa desaparecer, ser arruinada, tem coragem de sentar sobre as ruínas e sentir as dores como o ferro em brasa dilacerando a pele, tudo isso lhe ardia mostrando o “fogo dos novos tempos”.

Sentia arder na alma. Olhava pra frente, “Novos Tempos”. Pulsante e ardente a nova perspectiva de revolução brotando: “Novos Tempos”. A dor do povo ardia no coração de selva desta Silva.

E regaram as flores do deserto
E regaram as flores com chuva de insetos
E regaram as flores do deserto
E regaram as flores com chuva de insetos

Não bastassem os monturos de pedra que se fizeram sua Casa, sua Vida, seus Irmãos... tudo o que se construiu sobre o deserto cotidiano, foi destruído. Os poderosos não vêem que seus atos regam as flores do deserto com chuvas de insetos. Não alimentam, depredam. Na alma daquela Silva, uma Selva Ardia em Brasas, clamando por Novos Tempos.

Mas se você ver
Em seu filho
Uma face sua
E retinas de sorte
E um punhal reinar
Como o brilho do sol
O que farias tu?
Se espatifaria
Ou viveria
O espírito santo?
Se espatifaria
Ou viveria
O espírito santo?

Esta Silva escolheu viver o Espírito Santo. Que você faria? Um punhal a reinar. Dor. Morte. Aceita e reinante exposta à luz do Sol, o que você faria? O que você faria se soubesse da dor do seu irmão? Desordem, Caos, Rebeldia. A Justiça pulsa e você não sabe o que fazer. Escolhe a Vida. E vive como se o amanhã chegasse depois de hoje, sabendo que as suas ações, mesmo que você não estivesse mais aqui, teriam conseqüências.

A fase ‘drogas, sexo & rock’n roll’ acabou pra esta Silva, se é que existiram.

O que você faria? Você sempre tem duas opções. Diante da morte e do Caos, sempre dois caminhos. Se espatifar sem história, no meio das ruínas. Ou, viver o Espírito Santo. Criando, Atraindo, Gerando.

Sempre existes duas posições. Duas opções. Sempre. Você escolhe o que pretende deixar nessa Terra. Que sinal você pretende deixar? Deixar mais que a vida e viver o socialismo, com toda certeza não é como uns certos candidatos socialistas riquíssimos que vimos por aí… é mais algo como o Chê que deixou o sangue, o punhal e o sinal.

Aos jornais
Eu deixo meu sangue
Como capital,
E às famílias o punhal
À corte eu deixo o sinal, sinal!

E regaram as flores do deserto
E regaram as flores com chuva de insetos

Para Ana Paula Dresch…da Silva. Uma Silva que com toda certeza, tem mostrado a quê veio. Mais uma Silva, como a Marina, ministra. E como a Leila, minha mãe.