sábado, 23 de abril de 2011

A Sexta-feira do Grande Silêncio.

Esta postagem era pra ter sido publicada ontem, por força maior, a publicamos hoje.

Eis que meu Servo prosperará, ele se ele elevará, será exaltado, será posto nas alturas.

Exatamente como multidões ficaram pasmadas à vista dele – pois ele não tinha mais figura humana e sua aparência não era mais a de homem – assim, agora nações numerosas ficarão estupefatas a seu respeito, reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido.

Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço de Iahweh?

Ele cresceu diante dele como renovo, como raiz em terra árida; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar.

Era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos caso nenhum dele.

E, no entanto, eram os nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava.

Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado.

Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.

Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas Iahweh fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.

Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como ovelha que permanece muda na presença dos tosquiadores ele não abriu a boca.

Após detenção e julgamento, foi preso.

Dentre os contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo?

Deram-lhe sepultura com os ímpios, seu túmulo está com os ricos, embora não tivesse praticado violência nem houvesse engano em sua boca.

Mas Iahweh quis esmagá-lo pelo sofrimento.

Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará.

Após o trabalho fatigante de sua alma verá a luz e se fartará.

Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sobre si as suas transgressões.

Eis por que lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a si mesmo à morte e foi contado entre os criminosos, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos criminosos fez intercessão

Isaías 52,13-53,12

Tradução da Bíblia de Jerusalém, grifo nosso

 

Como é sexta-feira Santa, dia de grande silêncio, continuamos o Tríduo Pascal, para que você possa compreender melhor, assim como eu, o que este dia representa, copiei a profecia de Isaias (chamado Segundo Isaías), que é a primeira leitura de hoje e abaixo o respectivo trecho do livreto “Tríduo Pascal – A nossa Páscoa”:

Na Sexta-feira Santa, dia de Jejum e abstinência de carne, tem lugar a celebração da Paixão do Senhor. Acontece às três horas da tarde, hora em que Jesus morreu.

O evangelista João identifica a morte de Jesus num tempo diferente de Mateus, Lucas e Marcos. Ele faz coincidir a morte de Jesus quando eram sacrificados os cordeiros, ainda em preparação para a celebração da Páscoa. Tal como o cordeiro sacrificado na Páscoa dos judeus, Jesus é o novo cordeiro, cujo sangue derramado nos redime e tira o pecado do mundo.

A cruz não surgiu repentinamente na vida de Jesus de Nazaré. Ela foi consequência de uma opção radical pelo Pai e pelo Reino. Na fidelidade ao Pai, Jesus é fiel também aos pobres e aos pecadores, os quais o Pai ama e quer resgatar. Jesus não hesitou em defender os oprimidos. Condenou o poder e a riqueza construídos à custa da opressão, assim como as desigualdades sociais, as discriminações,  as leis injustas que favoreciam apenas uma pequena parcela da sociedade. Não aceitou a hipocrisia e o uso da religião em proveito próprio. Anunciou o Reino de justiça, amor e paz, pois todos são iguais perante Deus, com os mesmos deveres e direitos. Essa maneira de agir acabou levando-o a ser condenado.

A sabedoria da razão humana, porém, não é suficiente para explicar a experiência cristã da cruz. O seguimento exige a renúncia dos interesses pessoais que não estejam sintonizados com o projeto do Reino.Tomar a cruz e seguir o caminho do Mestre é enveredar pelo caminho do serviço na doação total, até a entrega da própria vida motivada pelo amor, a exemplo do Mestre. Sendo a vida o maior dom de Deus, se for colocada a serviço do Reino, jamais poderá ser perdida

LELO, Antônio Francisco. Tríduo Pascal – A nossa Páscoa. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, ano.  grifo nosso.

Aqui se revela um Jesus apaixonante, que tem tanto amor, mas tanto amor que constrange e nos leva à conversão de modo singular, impelindo ao quebrantamento e consequentemente à missão.

Porque “tendo amado os seus, amou-os até o fim” (João 13), sabendo quem era Judas e o que ele faria, sabendo quem era Pedro e como ele agiria, conhecendo a fé de Tomé (igual a minha muitas vezes! Não é fácil crer que pessoas que morreram na sexta estão andando pela cidade no domingo, é?…), conhecendo a personalidade e caráter de cada um deles, amou-os até o fim.

Assim começou o Tríduo, e hoje, o Jesus que chamou “hipócritas, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura!” e “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis eu ajuntar seus filhos como a galinha com seus pintainhos e tu não quiseste”.. o mesmo Jesus que tinha curado o cego, que andou pelos mares da Galileia, que tinha sotaque sulista e andava no norte… que foi rotulado de tudo! Desde profeta e mestre, “homem muito sábio”, até mentiroso, belial, beberrão, comilão… esse Jesus que dividiu opiniões e partiu a História ao meio, é preso.

Seu crime? Amar demais.

Por causa dos oprimidos, dos abandonados, dos excluídos – seja socialmente, seja emocionalmente (afinal, quantos pobres emocionais você conhece?) – Ele escolhe o Caminho rumo ao Gólgota, ou, lugar da caveira.

Até chegar à cruz, é cuspido, esbofeteado, humilhado, os evangelhos não dizem nada quanto à alimentação, mas, eu suponho que estava com fome, que deveria ter passado frio na cela, que o peso que Ele carregou nestas últimas horas, o peso em sua alma, foi esmagador, aterrorizante… E por quê?

Porque tendo amado os seus, amou-os até o fim.

Porque eram os nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava.

Porque o castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.

<A cruz de Jesus e as cruzes da humanidade> (Ir Agda Mª Santana de França, fsp)

Aqui, o nó górdio da humanidade se rompe. O Cordeiro é aceito como sacrifício perfeito. (Hb. 4,14-16; 5,7-9)

Eu olhei o meu dia, percebi que Tu és melhor que uma canção de amor;

Muito mais do que eu canto sobre os cantos do mundo, um minuto contigo é melhor do que tudo.

E é por isso que estava a ouvir Tuas Palavras, é olhar pra minhalma e saber que em Ti sou feliz:

Me esconda em Ti, eu preciso andar no Teu Caminho!

Teu amor sobre mim muda os meus passos e ilumina meu rosto!

Eu olhei o meu dia, percebi que Tu és melhor que uma canção de amor;

Toda arte que eu faço, todo som entoado não é mais que uma grande vontade de te conhecer

Meu amor sei que é o Meu Deus de Mistério e Teu Filho Jesus é na cruz caminho de Paz.

Me esconda em Ti,meu Deus eu preciso andar no teu Caminho.

Teu amor sobre mim muda os meus passos e ilumina meu rosto.

Iluminando meu Rosto. Ilumina meu rosto…

Palavrantiga – Eu olhei o meu dia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Você é surdo?

Aquele que tem ouvidos para ouvir: Ouça!!!

Todos Estão Surdos

Composição : Roberto Carlos / Erasmo Carlos

Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo

Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!

Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
"Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade"

Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo

domingo, 10 de abril de 2011

Ouça.

Quando ouvimos a música certa e ela vai nos guiando pra formar a harmonia perfeita, é quase como se ouvíssemos tocar o âmago de tudo. Ouvíssemos nossa alma cantar. Sem palavras, apenas a harmonia perfeita formando a canção magnífica.

Deus toca essa música e é como se não quisessemos perdê-la. Quando ouvimos oSom não podemos deixá-lo ir. Não podemos nos perder dele.

É o Som do Céu que nos levará de encontro a Deus e a nós mesmos.

Ouvi este som há 10 anos atrás. E segui sua melodia como se meu coração me dissesse "eu ouvi o som é por alí." Como uma criança pequena segui pela Casa da Vida o Som que meu Pai tocava no meu coração.

Especialmente hoje ouvi algo singular, estava em Casa e sabia que era a minha Casa. A música tocava aqui. Tocava dentro de mim. Era a Harmonia perfeita outra vez "Hey, ouça o Som"...

Será que você já ouviu essa música singular tocando dentro de você?

Se minhas letras fossem notas musicais, elas certamente fariam você ouvir o Som, porque ele é forte aqui dentro, pulsa tão forte que posso sentí-lo na minha pele. E sei que minhas irmãs também ouvem este som.

A música que me chama pra amar, pra me entregar sem reservas, pra me consagrar. A música que me leva ao Altar de Deus e me completa.

É a Harmonia Perfeita.

Este post é especialmente dedicado à:

Leila (que me ensinou a ouvir os sons)

Vanil (que me disse "este é o Caminho, andai por ele")

Gabriella (com a vida disse "Traga mais oboés pra melodia, mais alegria mana")

Pietro (que nem disse, apenas cantou o que sentia vibrar em si e me tocou...)

Também à Pia Filhas de São Paulo, minhas irmãs... certamente!

Daniela Galhardo... que soube ouvir o mesmo Som.

Anaí França (ela ouve os sons das ruas)

Nathalia Mendonça (subjetivamente rendida aos violinos)

E ao meu querido Senhor Jesus, que toca em mim a música desde o ventre...

(Abaixo trecho do filme Chiara e Francesco)

Cântico das Criaturas: Filme Chiara e Francesco. Direitos Reservados.