sábado, 10 de setembro de 2011

Mar da Vida.

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Boa tarde,


"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno." (C.S Lewis)

Eu aceitei o risco de amar, eu sei que em alguns dias vou acordar com o coração cinza e pesado, com frio e fome, porque na noite anterior tive que chorar, mas vai passar, sempre passa, e não me deixa "triste", mas me ensina que sempre terei a beleza daquilo que com o outro construí. A Castidade de verdade é essa que dá um pedacinho do coração pro outro, aceitando o risco do negócio. Eu poderia construir uma parede ao redor do meu coração, colocar uma armadura na minha alma pra evitar me envolver, mas que graça tem aceitar entrar na corrida sem ralar o joelho? A graça da corrida está justamente nos ralados, nas cicatrizes.


Pra minha idade acho que tenho algumas cicatrizes que antes não gostava de ver, hoje, acredito que ao partilhá-las no momento e com a pessoa certas deixam de ser marcas feias pra se tornarem bálsamos de cura pro outro. O mistério da morte cotidiana é que dela brota vida. A única religião do mundo que apregoa isso é o cristianismo, porque da cruz surge redenção e cura. Das feridas do coração extraímos bálsamo precioso que cicatriza.
É como se cada lágrima (E a biblia até traça uma alegoria neste sentido no livro de Apocalipse), Deus recolhesse em seu odre precioso e quando nós nos encontramos com nosso irmão, e o coitado tá estrupiadinho e não consegue nem levantar a cabeça, o Senhor pega então uma pequena gotinha daquilo que era dor pra nós e pinga na alma do nosso irmão, nós através da dor, levamos cura.
Somos médicos feridos. 

Me sinto feliz, e quando o céu ficou pesado e cinzento, senti uma gota de água na testa, as plantinhas começaram a festejar. Aí não aguentei, peguei meu tamborim e cai no samba... peguei emprestado a letra de vinicius de morais e a plenos pulmões cantei:


"Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor"

Mas, chorei, e precisei compreender que a vida é fruto do amor. Do mais puro amor que sente e crê.

“Quem bater primeira dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer
Aponta pra fé e rema

É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto teus sinais
Pode ser da vida acostumar

Será, Morena?
Sobre estar só, eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar
Dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?

Doce o mar, perdeu no meu cantar (x 2)

Só eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar
Dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?”

(Dois barcos, Los Hermanos)


Obrigada, este é o pedacinho do meu coração pra você.

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