segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sobre a Misericórdia

Comecei a refletir sobre o que seria “Misericórdia”, aí, formando uma linha de pensamento, sem muitas conclusões, perguntei pro pessoal no msn.

“é se compadecer do próximo”

“é acolher ao invés de julgar”

“é acolher a infelicidade do outro como se fosse sua”

“é sentir o sofrimento do outro como se fosse na sua própria carne”

“Misericordia para mim é quando o coração pulsa com o coração do outro, é sentir com..”

Foram algumas das frases que me tocaram. E percebi que nessa continuidade em me colocar no lugar de “pequeno grão junto ao banco de areia da praia” é que, mesmo incompreendendo a razão pela qual alguém deseja ser misericordioso, eu vivo a misericórdia. E, ao sentí-la, minhas barreiras e fortalezas de orgulho e pecado caem por terra.

Aqui descubro o que levou o Pai do Filho Pródigo a abraçá-lo em vez de mandá-lo aos opressores. Aqui descubro o sentimento de Cristo ao aceitar a cruz. Aqui vejo seus Olhos pousando sobre mim, olhando todas as minhas misérias, exatamente como sou, com tudo que eu sou, todas as coisas que me tornam humana e todos os erros que cometi e até os que cometerei, e percebo que isso não torna Seu sacrifício condicionado a algo… Ele continua me amando…

E não consigo fazer outra coisa a não ser caminhar em Sua direção, pedir que segure minhas mãos e me guie. E pedir para que me aceite em sua casa… e sinto seus olhos sobre mim… sinto Ele colocando um anél em meu dedo e sandálias em meus pés. Vivo a sua misericórdia e alcanço sua graça.

Mas, Ele com apenas um olhar me alcançou. Me enterneceu. Senti sua misericórdia e desejei mais de seu amor.

Sem conceitos. É isso. Viva. Aceite. Ame. E, após viver a misericórdia contínua de Deus, tenha você também ações de misericórdia.

Forte abraço,

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ao Mestre, com carinho.

Senhor,
Me torne sensível à Tua Voz,
Não frágil para que minha carência humana me cegue,
Mas com a fortaleza de Teu Espírito para fazer tua vontade,
Humilde como Tu para ouvir as críticas e os elogios de minhas irmãs,
sem me corromper com a vaidade,
Me faça desprendida e abnegada,
mas não sem personalidade e passiva,
Que eu seja teu reflexo para ser mais humana,
E tenha suas atitudes para ser mais divina,
Que eu assuma meus erros, pois também sou pecadora,
Que eu saiba o caminho do arrependimento e trilhe por ele
Seja minha luz e não andarei em trevas,
Seja meu coração e estarei segura em minhas emoções
Seja minha vontade e pensamento e agirei com teus desejos
Forme teu rosto em mim, pois a Tua vida é meu desejo maior
Quero que andes em meus pés
Fale em minha boca
Sinta em meu coração
Sejas Tu em mim, e eu em Ti até sermos um só coração
Desejo viver a eternidade no meu dia-a-dia
Esperar em Ti e prosseguir caminhando
Pois não posso mais viver só pra mim
Por isso me rendo à Ti,
Amém
 
(Perbeline, 13-10-2011)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sobre a Liberdade.

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Eu passei a manhã quase toda queimando meus pobres neurônios pra pensar a respeito de liberdade, não consegui formular nada sintético que expressasse exatamente o que eu sentia. A primeira análise, parece que sou um tanto adepta das teorias empírica e utilitária afinal, a liberdade apresenta-se como

a capacidade individual de autodeterminação, caracterizada por compatibilizar autonomia e livre-arbítrio com os múltiplos condicionamentos naturais, psicológicos ou sociais que impõem predisposições ao agir humano

Logo, a liberdade é o que me permite experienciar e refletir, levando em consideração aquilo que carrego de natural, psicológico e social, que me forma enquanto Ser, que me torna personalizado enquanto ser consciente e igual enquanto ser biológico.

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Sendo assim, depois de todo esse blablablá filosófico, queria compartilhar algumas coisas, dentre as quais posso considerar a resposta vocacional de alguém. Antes de mais nada, queria explicar que vocação é um chamado divino. A primeira delas é a vocação à vida. Da minha perspectiva, a vocação à vida é que se pauta na alegoria criacional de que Deus forma o homem do barro e lhe sopra fôlego de vida.  Todo homem é chamado à Vida.

A segunda vocação é a cristã: Todo homem é convidado a crer e seguir Jesus Cristo como resposta para sua condição de queda e desejo de redenção, tendo como porta de ingresso o batismo.

As outras vocações são: Matrimônio, segundo a qual homem e mulher são chamados a constituir família. A vida leiga consagrada, segundo a qual se vivem os preceitos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, porém sem viver em comunidade. A vida consagrada, que é aquela em que se vive em comunidade o seguimento mais radical de Jesus, através dos preceitos evangélicos. Enfim gente, deu pra perceber que vocação é um apelo  ou inclinação para uma opção de vida né. Então tá, rsrs, maiores dúvidas procure uma livraria paulinas mais próxima de você e questione as irmãs por alí, elas vão ajudar com toda certeza rsrs. Porque o objetivo do papo de hoje é falar sobre a RESPOSTA que se dá à vocação.

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Quando nós nos deparamos com um questionamento sério sobre “o que fazer da nossa vida?”, quando se tem um amor muuito grande pelo Evangelho, pela Igreja, pela vida e por missões, é possível que se tenha uma vocação religiosa despontando.

De repente você acorda, inquieto, se questionando, com milhões de dúvidas, para, reflete e lança ao vento: _ Será que isso que eu to sentindo é vocação para a consagração?

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Aí minha filha! Se prepare pra trilhar a aventura mais radical da sua existência simples. Esse foi o pontapé inicial que eu dei rumo à coisa mais doida que já vivi, o encontro com a mais pura resposta que poderia dar à Deus, livre de vícios, de máculas, de indução ao erro, numa constante ascese que culmina na recepção mais intensa do amor de Deus no coração.

Por fim, depois de quatrocentas mil à enésima potência de crises, surtos, questionamentos, eu descubro que a resposta que dou à Deus é fruto da mais intensa liberdade que tenho, que o que faço é por gratidão, por desejo de viver a rtadicalidade do Evangelho, por sincera entrega, porque… Ele me venceu e minha massa cinzenta não conseguiu arranjar desculpas para a fuga e terminei rendida, em estado de graça, de entrega total e abandono à sua vontade.

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Isso é consagração, entregar-se à vontade de Deus na vivência da ascese cristã, observando a Palavra do Senhor.

“De que maneira poderá o jovem guardar puro os seus caminhos? Observando a sua Palavra, ó Senhor” Sl. 119.

É isso!

em 06-10-2011, São Paulo – SP

Panda

Apenas humana

De repente você descobre que não é um X-Men. Pois é, você acordou do sonho cara, não adianta correr rumo a outra padaria e nem pegar metrô pra tentar na região próxima, já era… você não tem super-poderes. Não pode controlar nada. Se liga, você não consegue mudar isso.

Deu pra perceber? Preciso desenhar? Não, não é revolta, tô só constatando os fatos. Estou me dando conta de que não tenho como mudar algumas situações, obrigar pessoas a agirem de outro jeito. Algumas atitudes simplesmente acabam comigo, me deixam com o coração partido demais, e, se você não sabe o que é se sentir impotente diante de uma situação, não sabe o que é um coração que se parte.

É, talvez você seja mais um pamonha…

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Choro. Choro quando descubro que sinto saudade e que não posso mudar as circunstancias. Essa dor é profunda demais, e, simplesmente aconteceu. Partilho algumas cicatrizes sim, mas, é preciso prosseguir. Inevitavelmente, é preciso caminhar.

Aqueles que nunca alimentaram sonhos não sabem o que é vê-los no chão, sem possibilidade de ressurreição. José, filho de Jacó sabia… ele estava numa prisão fétida, tinha sido vendido por seus irmãos. E eu sei, estou diante de uma situação em que minhas mãos de panda estão atadas. E nem com toda habilidade do mundo não poderia reverter este quadro. Eu não tenho poderes sobrenaturais. Não, eu não sou o Kung-fu Panda, apesar das considerações contrárias.

Quem ama corre o risco de chorar. Eu escolhi esse risco. Eu escolhi chorar. Não quero me prender no esquife das minhas mazelas, na podridão do meu orgulho, exalando o fétido suor de uma autosuficiencia mesquinha e infantil. Eu quero e escolho amar. Mais uma vez.

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“A maior fraqueza do homem é poder tão pouco por aqueles que ama” – Blaise Pascal

“Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência” – Leon Tolstoi

“Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro” – Jean Paul Sartre

“O primeiro serviço que alguém deve ao outro na comunidade é ouví-lo. Assim como o amor a Deus começa com o ouvir a Sua Palavra, assim também o amor ao irmão começa com aprender a escutá-lo. É prova do amor de Deus para conosco que não apenas nos dá sua Palavra, mas também nos empresta o ouvido. Portanto é realizar a obra de Deus no irmão quando aprendemos a ouví-lo. Cristãos e especialmente os pregadores, sempre acham que tem algo a ‘oferecer’ quando se encontram na companhia de outras pessoas, como se isso fosse o seu único serviço. Esquecem que ouvir pode ser um serviço maior do que falar. Muitas pessoas procuram um ouvido atento, e não o encontram entre os cristãos, porque estes falam quando deveriam ouvir…” – Diedrich Bonhoeffer

De volta ao Paraná, Abraços,

Panda

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Aquela do Compromisso

Hoje o papo é sobre compromisso, e não adianta fugir moço, de hoje você não me escapa! Ora vamos, eu não mordo… Seja um bom moço e se achegue aqui. Quero começar essa conversa com as palavras de um certo Severino, de João Cabral de Melo Neto:

Somos muitos severinos, iguais em tudo na vida. Na mesma cabeça grande que à custa que se equilibra, no mesmo ventre crescido, sobre as mesmas pernas finas e, iguais também, porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina, que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta; de emboscada antes dos vinte; de fome um pouco, por dia; de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade e até em gente não nascida. Somos muitos severinos, iguais em tudo e na sina; há de abrandar estas pedras suando-se muito em cima; (…) há de querer arrancar algum roçado da cinza.

(João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina)

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Nossas leis me dizem que é fundamento da República Federativa do Brasil a chamada dignidade da pessoa humana, mas ora, que seria essa dignidade? Que seria esse fundamento valorativo a que se manifesta nossa Carta Magna chamando à si a possibilidade de que seus cidadãos tem fulcrado em seu Estado Maior uma esperança?

Seria possível tamanha possibilidade de vivência? Não é muito prepotente tal anseio? Conseguiria um Estado Soberano conceder algo ao seu cidadão tão oprimido e tão doente?

Se você já viu como é a fila do Sistema Único de Saúde (S.U.S.) sabe bem o que eu digo. Ontem assisti a uma palestra em que um médico tratava sobre o ensino da ética na Medicina. E apresentando alguns gráficos a respeito do tempo em que uma pessoa leva para ser atendido, ele constatou a realidade deprimente e caótica de nosso sistema de saúde.

Disse que uma pessoa leva em média de seis a oito meses para conseguir consultas em determinadas especialidades médicas, ironizou o fato de que muitos se alegram ao conseguir a bendita “senha” de atendimento. Mas, claro, “somos muitos severinos, iguais em tudo, e na sina…”, e quando o paciente chega no tão esperado dia de sua consulta, passa em média 1 hora ou pouco mais sentado num banco à espera de ser chamado, e quando chega sua vez, o médico sequer olha pra seu paciente, sequer o chama pelo nome e o atendimento leva cerca de dez minutos. Ao médico, “somos muitos severinos”, ao paciente “morremos de morte igual, mesma morte severina”.

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Não me contentando em falar a respeito da saúde, quero questionar: Quanto brasileiros e brasileiras não abdicam seu almoço, seu jantar pra alimentar os filhos? Porque a estes “pra que outros possam viver, vale a pena morrer”. Será que a dignidade da pessoa humana é um fundamento do nosso Estado?

Será mesmo que todos tem liberdade de crença? Apesar do que diz nossa Constituição Federal, por que morreu Dorothy Stang? As notícias a respeito dizem que suas últimas palavras teriam sido no sentido de que sua única arma era o Evangelho.

Será que temos proteção ao menor? Em nossas cidades litorâneas o que mais se vê são crianças de 4 a 12 anos, isso mesmo, CRIANÇAS, que chegam em turistas, caminhoneiros, viajantes, e até moradores locais se submetendo à qualquer favor sexual por cinco reais. E então, ao serem questionadas sobre o porque fazem isso, muitas das respostas são: “Tenho fome; Meus irmãozinhos não tem o que comer; Moço, há dias não sei o que é arroz…” Seria isso dignidade? Somos um povo digno?

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A Dignidade da pessoa humana, enquanto norma, mesmo que valorativa, implica numa ação do Estado para que sua eficácia não seja posta à prova. Massificou-se a chamada dignidade, e tudo se tornou violação da dignidade. Ora, não estou a dizer que quero uma conta recheada, nem carros, casas, nem propriedades, estou falando de saúde, de alimentação, de proteção à infância.

Será que você que é pai, mãe, ou que tem irmãos menores, sobrinhos, como você se sentiria se soubesse que qualquer um dos seus está oferecendo seu corpo, que é seu bem mais precioso, em troca de um bocado de pão?

Como ficaria se soubesse que sua tia, sua mãe, avó, está doente, na fila de um hospital, à espera de um atendimento em cardiologia, sem qualquer perspectiva de consulta?

Como se sentiria se soubesse que seu irmão ou sua irmã, hoje com filhos, não tem se alimentado para que seus filhos possam ter como sobreviver?

O que você faria?

Como agiria?

O que falaria?

A quem recorreria?

Como?

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Dignidade da pessoa humana e efetividade das normas… um desafio não só aos juristas, mas também a todo que se diz brasileiro, cidadão, especialmente se for cristão.

Pense nisso!!!

Ser cristão é também se comprometer com o próximo.

Não há cruz sem o outro. Não há cristianismo sem comunidade. “Deus, mesmo sendo perfeito a ponto de poder viver sozinho, escolheu ser comunidade, em três Pessoas que são uma, numa perfeita comunhão”.

Saudações de São Paulo-SP, em 05/10/2011;

Panda.

domingo, 2 de outubro de 2011

Olhos apaixonantes

“mulheres de Jerusalem, conjuro-vos que se virdes meu amado, digam-lhe que estou morrendo de amor” Ct 5..

Será que estou apaixonada?

Estou como na canção de Milton:

Quem sabe isso quer dizer amor?–Milton Nascimento

De repente você se vê meio boba, e pensar naquela pessoa toda especial dispara seu coração, suas mãos transpiram, e você se sente, nos termos mais claros possíveis… uma pessoa babaca! kkk Você só não esquece a cabeça porque ela está em cima do pescoço, mas vejam só, a minha ficou naquele altar.

A olhar n’Aqueles Olhos, sentindo o pulsar d’Aquele Coração. Ouvindo Aquela Voz que me diz “_Te amo!”.. Sentir que Ele vem à mim com delicadeza, cuidado, com um amor sem tamanho. O que sinto vontade de responder? Nada além de lhe devolver o olhar apaixonado e ficar ali quietinha, bem quietinha, pertinho do seu coração. Seria isso a contemplação? Ficar quietinha, muitas vezes de joelhos, no silêncio mais profundo da minha alma, só ouvindo o que Ele tem a dizer.

Não sei. Mas, sei que isso me faz feliz, me completa, me torna absurdamente com a sensação de que sou apenas dEle e assim, nada mais quero a não ser lhE agradar.

Eu já não quero um amor maior que eu, pois, sinto que já o encontrei. E esta é, sem dúvida a pérola de grande valor!

Um domingo lindo pra vocês,

Apaixonem-se por Jesus, e venham… Ele chama!