domingo, 11 de dezembro de 2011

Gente miúda

É… faz realmente a diferença você ouvir o outro. Às vezes o tempo que se dá é o tempo que se ganha. Não entendeu né? Eu ainda não entendo muito bem muita coisa, às vezes as pessoas pensam que me conhecem, poucos são os que realmente entendem o que se passa aqui dentro. Fazer o silêncio dos sentidos, mergulhar na noite escura, haja coragem.

Hoje ouvi que contar histórias faz com que as pessoas se aproximem de nós. Eu gosto de contar histórias. Gosto de atrair pessoas. Coisa de família ser meio Forrest Gump… mas eu gosto e me orgulho disso. Há quem critique, isso não é problema meu, não tenho que me ocupar dos pensamentos dos outros. (Ok, às vezes é relevante, quando não, esqueçamos e sempre em frente!)

Ultimamente tenho exigido de mim mesma ser bem forte, ser gran, responsável, adulta. Mas, não sou assim tão grande e nem quero ser. É ruim ser gente grande. Sabe por quê? Porque pessoas grandes não sabem desenhar, não sabem olhar o céu, não conhecem as estrelas. Pessoas grandes são esquecidas, se preocupam com ganhar dinheiro, namorar, rituais, um trambolho inventado chamado sociedade, umas coisas meio sem sentido como “poder”… coisas que realmente não consigo entender e não gosto.

Bom mesmo é ser gente pequena. Gente pequena corre, brinca, conta causo, tem quintal, faz de conta, aliás, eu gostava de ser guerreira de épocas distantes, ganhava todas as batalhas, sofria, me arrebentava, mas, já viu guerra sem machucado? Ia pro campo e resgatava o indefeso, cuidava do ferido, arrastava o amigo do front e colocava no ombro e saia feito um gato, ninguém me via. Eu era a menina do vento. Esse negócio de mocinha indefesa não era pra mim, gostava mesmo era de correr e escalar.

Aí quando estava cansada deitava no chão e pronto. Noutros tempos ainda mergulhava nos pensamentos e ninguém me atrapalhava, eu tinha um mundo igual ao do “Lucas Silva e Silva” do seriado Mundo da Lua.

Você não teve isso?

Você prefere ser grande?

Eu gosto mesmo é de gente miúda que canta pra trazer quem tá longe pra perto. Que diz que cuida de você e que tem superpoderes… gente pequena que ama tem poder demais pra uma gente só e não há gente grande que resista ao abraço de uma gente pequena.

No fim das contas percebi que o que eu quero mesmo é ver meus irmãos!!! E andar pelo mundo sendo gente pequena, me fingindo de gente grande pra disseminar por aí os abraços e o jeito de como é ser gente pequena.

Saudopandas pra vcs,

sábado, 10 de dezembro de 2011

Porque gosto de gente.

Essa é a terceira ou quarta vez nas última 24 horas que tento postar alguma coisa aqui e o raciocínio não flui. Sinceramente estas panes de inspiração que de repente surgem me deixam com a sensação de “fui vencida”. É, porque quando você se dá conta lá se foi a inspiração, a música te distraiu, alguém entrou no teu quarto, o cachorro do vizinho latiu. Claro, sempre tem um cachorro do vizinho, ou um vizinho guitarrista-bateirista-tecladista-rockeiro, como o meu caso, pra diluir sua inspiração com o Bléeeeem da guitarra.

Lógico que ele não faz por mal e nem você perde a inspiração por mal, simplesmente acontece e você tem que assumir lá se foi a ideia pro saco

Mas, deixando pra lá o papo dos vizinhos multinstrumentistas que ocupam meu quarteirão e me acordam antes das oito no sábado, vamos ao que realmente importa. PESSOAS.

Já parou pra pensar no quanto as pessoas são especiais? Hoje me disseram que não sou pessoa de multidões, que meu negócio é olhar dentro dos olhos. Concordo, não troco nada por uma conversa sentada na calçada, olhando dentro dos olhos, ouvindo, apreciando o céu. Porque o céu é tudo o que tenho e o meu interlocutor é a porta do céu. E normalmente eu aprendo mais do que ensino. Não adianta, o que é que uma pirralha de vinte e quatro anos ensina, eu, além de deixar a maior parte meio doida, malemá sei pra me virar, então o negócio é aprender!!

Algumas conversas eu realmente preciso de dias, meses, anos pra digerir, algumas são tão saborosas que simplesmente não quero deixar por nada e outras são verdadeiros deleites pra alma, pro coração, pra tudo, porque te elevam, ou te contrariam, o que importa é que você saiu enriquecida porque encontrou alguém.

E obviamente você pode pensar que to falando de relacionamento amoroso… falhou… to falando de qualquer relacionamento. Já se deu conta de que você sempre está se comunicando? E se você não souber se comunicar invariavelmente terá problemas? Bem, eu gosto de pessoas, pessoas particulares de um mundo comum, pessoas especiais pra uma vida comum, que tornam o comum absurdamente especial e incomum.

Hoje rí muito com a minha mana Mi, rí lavando roupas e ela tentando me derrubar com a mangueira (ela lavava o quintal). Depois fomos cada uma lavar o seu banheiro… ela fez o jantar, eu fiz o tereré, e a barata intrusa me fez pular pra cima do sofá como a medrosa que sou. Simples, comum, porém marcante, com gosto de família. Você precisa de uma mala verde de dólares? Eu só preciso de pessoas… simples, amigas, que estão alí pra me salvar das baratas horrorosas.

Outra coisa que adoro é conversar com gente rica, rica de alma, de espírito, de simplicidade. Em Salvador mora uma criatura que simplesmente me encanta. Por vários motivos que no dia 22 de Janeiro farei questão de dizer. É simples, é humano, é essencial. Que aproveito o espaço pra dizer… separa a garrafa de água que faltará saliva!!!

Você não gosta disso? Não posso fazer nada. Isso é o melhor da vida e você tá jogando fora. Deixe de ser bobo e aproveite. A vida passa depressa demais pra você se perder nela. O fantástico é curtir como quem toma um sorvete num dia de sol. Ou quem vê a Nárnia encantada atravessando a rua cheia de árvores mais antigas que sua vó.

“Cative! Deixe-se cativar como eu deixei, faz tão bem… aliás… como meus amigos do Crombie cantam: Faz tão bem cobrir de carinhos alguém. Repartir com o outro o que você tem…'”

Aliás, faz tão bem que finalizo com eles de trilha sonora pra você.

Com cenas dos filmes “Central do Brasil” e “O contador de histórias”. Vale a pena assistir ambos. A canção é por conta da banda carioca Crombie.

É isso,

Pandoogle aos navegantes,