sábado, 10 de setembro de 2011

Liberdade…

"O dia mente a cor da noite /E o diamante a cor dos olhos /Os olhos mentem dia e noite a dor da gente" (Teatro Mágico)

Sempre adepta da Liberdade, criada na liberdade e para a liberdade. Escolho portanto ser serva por amor. Quando me deparo com situações de coibição na qual as pessoas não conseguem e nem podem ter liberdade de PENSAR, de CRER, de MANIFESTAR sua fé, fico com o coração apertado.

Quer dizer, as pessoas precisam ter liberdade de crer e de descrer e ser respeitadas nisso. Já deve ser a enésima vez que me calo por amor. Me calo pra não manifestar a fé. Me calo num país livre. ME CALO. Desta vez resolvi falar. Espero que seja respeitada. Afinal estou manifestando meu direito constitucional de crença.

Moro num país de maioria cristã. Num lugar em que os cristãos se criticam, se separam, sentem preconceito uns dos outros, tudo, menos amor… tudo menos Jesus.

Cristão… ser cristão é ser o quê afinal de contas? É expressar o que afinal de contas? O que é crer em Jesus? E por que se diz crer Nele?

Por medo de danação eterna? Medo?!

Crer em Jesus é sinônimo de perseguição, sim é, estou ciente disso. Abraço isso e oferto. Entretanto, em nome de todos aqueles que passam pela mesma situação que eu, falo: Creio em Jesus.

E ainda digo mais, para escândalo de alguns, decepção de outros, descrédito de outros mais, e alegria de muitos:

Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir julgar os vivos e mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna.

Sim, sou católica.

Com alegria, sou católica.

Às vezes tenho a impressão de não poder expressar isso. Não importa o que fui ou deixei de ser, hoje sou cristã-católica. Minha vida é marcada pela liberdade de um país que permite a liberdade de crença. Coisa que alguns de nossos cidadãos não entenderam. Não é o fator “Mas, por quê?” e sim “Você o quê?”

Não se ouve a sua opinião acerca da mudança, mas sim a acusação “Não acredito que você fez isso!”.

Não se quer saber com boa-fé, mas como os judeus tradicionais, citados nos Evangelhos: “Procuravam isso com a intenção de matá-lo”.

Quer dizer, creio no que eu quiser. E descreio do que quiser. Ser Cristã, pra mim, hoje, é ser católica. É crer na igreja pecadora e santa. É crer nos Sacramentos. É crer na comunhão dos santos. Sim! É rezar o terço, é ter devoções, é expressar isso como eu puder. É evangelizar de uma maneira simples, sem coerção e nem manipulação. É respeitar o outro pelo que ele pensa e é, e aceitá-lo. Amá-lo, sobretudo!

Sim, não quero “enfiar” dogmas na sua garganta e pedir que você aceite. Quero viver e expressar minha fé como parte da minha personalidade, do que sou, com o que sou, e se isso te encantar, compartilhar com fé meu credo. Não quero e nem vou dizer “aceite Jesus ou vá pro inferno”…

Quero te ver feliz. Quero te ver amando.

Por favor, entenda, não quero dizer pra você que mudei, não, continuo a mesma pessoa de sempre, maluca, reconheço, porém, apaixonada pelo mesmo Deus, mesmo Senhor Jesus, e expresso isso.

Vivo… e deixo viver.

Mar da Vida.

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Boa tarde,


"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno." (C.S Lewis)

Eu aceitei o risco de amar, eu sei que em alguns dias vou acordar com o coração cinza e pesado, com frio e fome, porque na noite anterior tive que chorar, mas vai passar, sempre passa, e não me deixa "triste", mas me ensina que sempre terei a beleza daquilo que com o outro construí. A Castidade de verdade é essa que dá um pedacinho do coração pro outro, aceitando o risco do negócio. Eu poderia construir uma parede ao redor do meu coração, colocar uma armadura na minha alma pra evitar me envolver, mas que graça tem aceitar entrar na corrida sem ralar o joelho? A graça da corrida está justamente nos ralados, nas cicatrizes.


Pra minha idade acho que tenho algumas cicatrizes que antes não gostava de ver, hoje, acredito que ao partilhá-las no momento e com a pessoa certas deixam de ser marcas feias pra se tornarem bálsamos de cura pro outro. O mistério da morte cotidiana é que dela brota vida. A única religião do mundo que apregoa isso é o cristianismo, porque da cruz surge redenção e cura. Das feridas do coração extraímos bálsamo precioso que cicatriza.
É como se cada lágrima (E a biblia até traça uma alegoria neste sentido no livro de Apocalipse), Deus recolhesse em seu odre precioso e quando nós nos encontramos com nosso irmão, e o coitado tá estrupiadinho e não consegue nem levantar a cabeça, o Senhor pega então uma pequena gotinha daquilo que era dor pra nós e pinga na alma do nosso irmão, nós através da dor, levamos cura.
Somos médicos feridos. 

Me sinto feliz, e quando o céu ficou pesado e cinzento, senti uma gota de água na testa, as plantinhas começaram a festejar. Aí não aguentei, peguei meu tamborim e cai no samba... peguei emprestado a letra de vinicius de morais e a plenos pulmões cantei:


"Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor"

Mas, chorei, e precisei compreender que a vida é fruto do amor. Do mais puro amor que sente e crê.

“Quem bater primeira dobra do mar
Dá de lá bandeira qualquer
Aponta pra fé e rema

É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto teus sinais
Pode ser da vida acostumar

Será, Morena?
Sobre estar só, eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar
Dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?

Doce o mar, perdeu no meu cantar (x 2)

Só eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar
Dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?”

(Dois barcos, Los Hermanos)


Obrigada, este é o pedacinho do meu coração pra você.