domingo, 5 de agosto de 2012

Entre ilhas e continentes


Então, um dia acordei e me dei conta de que, apesar do coração continuar acelerando toda vez que eu vejo determinadas pessoas, ou lembro de determinadas coisas, ou ouço determinadas músicas, a vida continua.
A vida continua porque deve continuar. 

Porque todos são absolutamente substituíveis, porque um dia você acorda e descobre que quer viver a liberdade. Liberdade... aquela palavrinha que me persegue desde que saí de casa. 
Passei por tantas fases desde meus 17 anos por causa dessa tal liberdade.

E até agora não faço ideia do que é essa tal liberdade.

Porque no final, eu descobri que quem se prende é aquele que se afasta do seu círculo, da sua própria proteção, mergulha no desconhecido, espera aceitação dos outros e não de si mesmo. 

Descobri que é um erro fatal você botar sua fé numa única tábua que não é Deus.

Sem querer ofender, não é isso, é que de repente, você acorda e vê que a tábua é de carne, osso, qualidades e defeitos feito você. Ou, que a tábua é de papel e só te serve pra pagar contas. Ou que a tábua é uma qualidade que você pensa que tem, mas não tem.

A tábua meu bem, é a força do Pai. É a presença do Pai. É o supremo amor do Pai que te envolve e que te 
ensina a caminhar. A andar na verdadeira liberdade.

Que afinal de contas, deve ser o fato único de você ser quem você é, quer os outros gostem ou não, e não to falando também de atitudes. Não, to falando de caráter. 

Você gosta de MPB? Então porque não ouvir? Deixa os outros falarem que as músicas são ridículas, é você quem gosta.
Você gosta de Star Wars? Vai assistir sozinha já que não tem companhia. 
Você gosta de filme legendado? Deixa uma turma ir pra um lado e você vai para outro... ué!

Seja firme. 

Não faça nada porque vai pensar que o outro não vá gostar. Faça. Na maior parte das vezes o erro está em fazer aquilo que você acha que vai agradar. Viver pra agradar é palhaçada. Palhaçada consigo mesmo. Porque um dia você acorda cansado de agradar. 

Um dia você desce do salto. 
Aliás, tem dias que você adooooooooooooooooooora um salto, adora um mimo, adora umcheiro. Você é uma boneca, merece ser tratada como uma boneca.
Tem dias que você está desleixada, querendo dormir, querendo fazer coisas diferentes. Querendo ver caras diferentes. 
Tem dias que você sai arrebentando no rock'n roll e tem dias que você gosta de bossa.
Eu to bem Lenine. E deveria ter ido ao show dele (arrependimento!)
Aliás, eu deveria ter ido ao show dele. Deveria ter saído mais de casa. Deveria ter vivido mais pra mim. 

Deveria ter feito as coisas que EU gosto de fazer. 

Mas, não, eu quis agradar os amigos, quis agradar todo mundo. Hoje, meus amigos são aqueles que me conheceram quando eu falei "gosto disso aqui. Eu sei que você não gosta. Mas, é assim..."

Hoje estão comigo quem me conhece de fato e não aqueles que conheceram a pessoa diplomática e toda certinha. Hoje... hoje é verdade que eu queria um abraço forte de uma pessoa só. Mas, a vida continua. Ela sempre continua. E eu preciso ser a fênix. Deixar que as cinzas me tornem forte, não amargurada e nem ranzinza. Mas forte para amar, forte para transcender, forte para sobretudo aceitar a vida como ela é, coragem para mudar o que preciso mudar (se é que é preciso), serenidade interior, paz, garra pra passar na OAB, integridade para honrar meus compromissos e muita luz pra espalhar por aí a vida. 
Mesmo que eu seja um médico ferido no meio de tantos outros. 

Descobri que o quebra-cabeças não é de uma peça só.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. (John Donne)

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