sábado, 1 de setembro de 2012

Relatos de uma alminha desconjuntada.

O trajeto da alma. De uma alminha, simples, desconjuntada, uma alminha errante.

Ela passou por mim e não percebi que na sua roupinha de alma haviam remendos. Eram tantos os remendos, e tantos os buracos. E percebi que em sua aparência um tanto cadavérica, seus olhos vazios e sem vida perambulavam a procura. Pobre alminha errante… tudo lhe parecia tão sem valor, tão passível de justificações, tão “natural”.

Ela olhava o mundo ao seu redor e tudo era natural demais. As coisas se perdiam, perdiam todo o seu valor, sua beleza, seu “encanto”. De toda sorte a alminha me olhava e me inquiria.
_ Tens algo pra mim?

_ Talvez…

_ Desejo tanto…

_ Eu sei.

A alma então desejava. Desejava não ter buracos. Nem ter remendos. Desejava novas vestes. Mas, onde procurá-las? Onde obtê-las? Seria direito seu vestí-las?

Ela via outras alminhas tão jovens, tão serenas, tão pueris, tão brilhantes, sem nenhum buraco, sem nenhum remendo. Ela se sentia uma alma velha. Andarilha e errante. E prosseguia me circundando, me inquirindo com suas órbitas tão sem vida.

Uma alma sem vida…

Como pode?

Se não vagasse, certamente rastejaria. Estava ali diante de mim. Sua inquisição era quase audível. “Eu desejo”.

Quando, não mais que de repente noto seu olhar deixar de mirar-me e passar a olhar para outro lugar. Ela o via escrevendo na areia. Mas, o que é que Ele escrevia?

Ela via aquele jovem Galileu, vestido normalmente, abaixado a escrever na areia. E fez sinal de que ia na direção dele. Notei então o que deveriam ser seus pés. Sim, eram prisões! Pobre alminha esburacada e aprisionada, tão sem jeito diante de tudo e tão desejosa…

Ela caminhou com toda a força que tinha e arrastou consigo seus grilhões, seu olhar gritava “eu desejo”…quando ela chegou diante do Galileu, pôde ler o que Ele escrevia na terra.

“PEQUENA ALMINHA, EU TE AMO, NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ FEZ, EU TE AMO! NUNCA DEIXEI DE TE AMAR. VOCÊ É A MINHA PEQUENINA. SEMPRE FOI. A MINHA PEQUENINA… ME PERMITA TE AMAR UM POUCO MAIS…”

Notei que os olhos da pequena alminha foram se tornando de carne. Ela aos poucos foi ganhando um corpo, uma vida! E percebi que chorava. Sim! Ela chorava ao ler o que estava na terra. E ela o olhava, “Eu desejo”, e percebi que Ele lhe sorria respondendo todo seu anseio “Eu conheço seu desejo, estou entrando na sua tenda”…

E Ele, olhando diretamente em seus olhos disse: _ Onde estão os que te acusavam? Vês? Não ficou ninguém…

Ela então olhou ao redor, seus grilhões tinham desaparecido! Ela estava LIVRE! Olhou para o Galileu escritor e correu, correu com toda sua força e lançou-se aos seus braços e se deixou abraçar. Chorou tudo que as órbitas de seus olhos de carne permitiram e finalmente descobriu o que  é o AMOR.

Um grande abraço,

Panda

Um comentário:

UM DIA DE CADA VEZ!!! disse...

Eita, que coisa mais linda Amanda..Qe talento vc tem pra escrever, aliás não só pra escrever,como pra sentir..Deus abençõe!!!:]