sábado, 8 de setembro de 2012

Senta que lá vem história…

senta_que_la_vem_a_historia

Hoje vou abrir a postagem com uma das antigas…

“Em uma crença do Egito antigo, o deus da morte, Osíris, colocava o seu coração ou a alma na bandeja de uma balança, e do outro lado uma pena. Se a alma fosse livre de qualquer pecado, seria mais leve que a pena e Osíris saberia que a pessoa estaria apta a entrar no paraíso. Caso a alma fosse cheia atos ruins, seria mais pesada que a pena e logo a alma seria ofertada para um deus monstruoso que a devoraria.”

E então as almas se encontraram diante do enorme tribunal do Eterno. Alguns O chamam assim, temem falar até seu nome, “Magnânimo Juiz”, eles dizem: “aquele que cobra até pelos pensamentos”. Senti calafrios quando ouvi O chamarem desta forma.

Fui convocada a presenciar este julgamento, era uma pessoa ilustre diziam, muitas obras na terra e diante do Eterno não tem essa de boa alma, pecou tá ferrado!! Foi o que me disseram, e quando chegou aquele papel timbrado na minha mesa com o selo do Eterno, estremeci, confesso, me agarrei à pequena pastinha preta, coloquei meu melhor taieur, o melhor sapato de salto, como uma boa advogada.

Eu não deveria temer, não estaria ali para defender, havia outro advogado diziam… até que cheguei ao tribunal.

Querubins imensos na sala de audiências, mas o Eterno não parecia em nada com o que eu imaginei, tinha olhos tão bondosos, até me senti aliviada, eu era só uma espectadora – só para assistir – repetia pra mim mesma.

Aquela voz retumbante abriu o julgamento:

_ Bom dia amigos.

- Amigos? Que tipo de juiz era esse que chamava as pessoas presentes, a incluir o réu, de “amigo”? – Voltei para a apreensão inicial, minhas mãos começaram a transpirar. Notei então no advogado que defendia o réu. Era jovem, vestia roupas de algodão cru, um sapato confortável, ao contrário do promotor que representava a acusação. Era um sujeito estranho, bonito, aparentemente, mas seus olhos não transmitiam vida, nenhum tipo de vida. Na verdade ele me incomodava muito, pois parecia querer sugar a vida que havia em mim. Ele me encarava com uma certa inveja, não compreendi sua intenção mas notei que ele não estava de bom humor. - Talvez pense que seja uma causa perdida –

_ Estamos aqui, diante do réu Marcos, foi um conhecido cirurgião, a acusação apresentou um vasto relatório de erros substanciais que comprometem não só a moral e os bons costumes, mas também o incrimina severamente de assassinato, traição, roubo, formação de quadrilha e estelionato.

- Santo Cristo! – Observei o advogado de defesa, sereno, tranquilo. Nada o afetava, convicto de sua confiança em seu cliente, olhou serenamente ao Juiz.

_ A palavra está com a acusação.

O sujeito de aparência bela e olhar vazio abriu seu timbre barítono numa suave ironia: _ Que espécie de pessoa é essa senhores? Um médico? Não. Matou milhares de inocentes, traiu, roubou seus empregadores e clientes com preços que os oprimiram, manteve contato com outros médicos e enfermeiras para adquirir vantagens e ainda manteve relações extraconjugais, das quais um filho fora do casamento foi o fruto e vocês querem uma pena leve? Peço nada menos que a morte eterna e o banimento de toda forma de amor.

Impassível o Juiz olhou para a defesa.
_ Defesa?

O jovem Advogado se levantou, exibia marcas nos pulsos e na fronte, talvez tivesse passado por algum tipo de tortura no passado, mas algo nele me era muito familiar.

_ Invoco a Lei de Anistia.

O juiz olhou para a acusação.

_ O senhor certamente sabe do que se trata, senhor promotor?

A acusação se enfurece, é notória a raiva e o sentimento de perda que expressou o promotor, olhou em minha direção e notei que me dizia algo como “ódio, maldição” através do olhar… senti outro calafrio.

_ Claro que conheço Excelência! É a lei que apaga todos os graves erros cometidos.

_ Defesa, por gentileza, me entregue o documento.

O Advogado abre sua pasta e entrega um documento antigo com um selo da Realeza.

“Não importam mais quais foram seus erros, o ônus e a pena foram devidamente pagos pelo Advogado de defesa, também Príncipe da Paz, Maravilhoso Conselheiro, Deus forte e Pai da Eternidade.

Conhecido no ocidente como Jesus Cristo, Messias”

_ Bem, assunto encerrado meus amigos, sentença dada, Marcos está absolvido de todos os erros, seja bem vindo ao Paraíso.

Acordei de um salto, um sonho! Meu Deus!

“Depois de saber todas as teorias, no fundo, a única coisa que converte é o amor” (O príncipe e a lavadeira)

Um grande abraço, naquele que insiste em amar e perdoar quando a acusação é ferrenha…

Panda